sábado, 30 de maio de 2009

fundamento da religião Islâmica (texto 1)


Nascida como uma religião de paz e sabedoria, o islamismo, um dos três grandes cultos presentes no mundo, continua a ser um ilustre desconhecido para a maioria do Ocidente.O Tempo Desde o início da época islâmica, os muçulmanos datam os acontecimentos a partir do dia da emigração de Maomé de Meca para Medina, em 622 D.C: essa emigração, conhecida em árabe como a «héjira», constitui a forma de datação do calendário muçulmano.Um ano no calendário muçulmano, não tem a mesma duração do ano do cristão. O último é medido por uma revolução completa da Terra em torno do Sol, que leva aproximadamente 365 dias, mas o primeiro consiste em doze meses que correspondem, cada um, a uma completa revolução da Lua em torno da Terra; a extensão do ano medida nesses termos é aproximadamente onze dias menor que a de um ano solar. MecaCidade onde nasceu o profeta Maomé e onde começou a pregar a palavra de Deus, é a cividade Santa dos Muçulmanos, onde deverão ir (ver deveres) pelo menos uma vez na vida.Na cidade existe, no centro da mesquita, uma pedra negra que já era objecto de culto e peregrinação antes de Maomé.
Islamismo
Em árabe Islão significa «entrega» ou «devoção». Estas palavras têm sido utilizada para descrever o estatuto daquele que abraça a religião de Alá, a cujas vontades se «rende», vivendo de acordo com as regras propostas por ele e conhecidas através do seu profeta, Maomé.- O nascimento do islamismo
A península arábica é um planalto que se situa entre o golfo Pérsico e o Mar Vermelho, ocupado, na sua maior parte, por grandes extensões de deserto.Quando o profeta Maomé iniciou a sua pregação, grande parte da Arábia era habitada por tribos nómadas e independentes que viviam essencialmente da pastorícia e do comércio. No que diz respeito à religião, os Árabes eram politeístas (doutrina ou religião que admite uma pluralidade de deuses) e cada tribo adorava os seus próprios deuses. Assim, na Arábia não existia, antes de Maomé, nem unidade política nem unidade religiosa.O Alcorão é a principal fonte para a prática da fé dos muçulmanos. Os temas com que lida variam entre a sabedoria, doutrina, devoção e lei, mas o tema base é a relação entre Deus e os homens.O livro sagrado fornece ainda linhas para uma sociedade justa, uma correcta conduta humana e um equitativo sistema económico
O Fundador do Islamismo Maomé nasceu, cerca de 570, em Meca, na altura uma importante cidade comercial e já tradicional centro de peregrinação. Ficou órfão muito cedo, sendo educado pelo avô em difíceis condições económicas. Começou a dedicar-se, ainda jovem, à actividade comercial, tornando-se caravaneiro de uma viúva rica, Kadidja, com a qual viria a casar.Aos quarenta anos, Maomé passou a isolar-se nas montanhas para reflectir e rezar. Segundo diz a tradição, foi num desses retiros que lhe apareceu o anjo Gabriel, comunicando-lhe a mensagem de Deus que ele, por sua vez, devia pregar a todos os homens.Foi nesse encontro que conheceu as obrigações religiosas (os cinco pilares da fé) a que todos os muçulmanos estão sujeitos, sendo a mais importante acreditar e afirmar que existe um só Deus e que Maomé é o seu profeta.
- A missão de Maomé
Considerando-se, a partir de então, portador da palavra de Deus, Maomé começou a pregar na sua terra natal, Meca cerca de 610. Aceite pelos pobres, essa peregrinação não foi, contudo, bem recebida pelos ricos mercadores que dominavam então o funcionamento da cidade. Assim, Maomé teve que abandonar Meca, tendo-se dirigido para a cidade de Medina. Essa saída (a Héjira, em árabe) teve lugar em 622, data que foi, depois considerada o ano 1 do calendário muçulmano.A nova religião acabou por triunfar, sendo aceite por um número cada vez maior de crentes. Recebeu o nome de Islão ou Islamismo e teve, na sua origem, muitas influências do Judaísmo e do Cristianismo, que Maomé conhecia bem.
Os deveres de um muçulmano:- Fazer a profissão de fé;- Fazer as cinco orações por dia;- Cumprir o Ramadão;- Dar esmola aos pobres;- Ir a Meca, a cidade mais sagrada, pelo menos uma vez na vida, se tiver meios para isso.«Bem aventurados os crentes,Os que na oração são humildes,
Os que fogem da intriga, os que dão esmola.[...]Os que respeitam os seus contratos,Os que cumprem fielmente a oração,Esses são os herdeiros,Que terão o Paraíso, onde morarão eternamente».Alcorão, Sura XXIII, 1-11
Quem são os muçulmanos Os muçulmanos, (que em árabe significa crentes) acreditam num único Deus (que em árabe se diz Allah) bem como na imortalidade da alma e na possibilidade de obter a salvação eterna através da caridade e da oração.O seu livro sagrado é o Alcorão que, para os crentes, contém a palavra de Deus tal como foi pregada por Maomé.
Quando Maomé morreu, no ano 632, já grande parte da Arábia estava convertida à religião islâmica e formava um único estado. A Arábia passou, a partir de então, a ser dirigida por um califa (que em árabe significa sucessor ou representante), que acumulava, ao mesmo tempo, o papel de chefe religioso e política. Foi sob a direcção dos primeiros califas que se iniciou o movimento de expansão que levou à formação do grande império muçulmano.Os muçulmanos representam cerca de 1,3 milhões de pessoas de diferentes raças, nacionalidades e culturas à volta do globo – do sul das Filipinas à Nigéria.Cerca de 18 por cento vive no mundo árabe. A maior comunidade islâmica encontra-se na Indonésia; uma parte substancial da Ásia e de África é muçulmana, enquanto que se encontram minorias na Rússia, China, América do Norte e do Sul e ainda Europa.
Religiões Unidas O Deus islâmico é o mesmo dos judeus e dos cristãos, pois Maomé assumiu-se como descendente de Abrãao, pelo filho deste, Ismael, e aceitou Jesus Cristo como um dos profetas do «Deus único e verdadeiro». Além disso, ainda aceitou o conteúdo da Bíblia judaica e dos Evangelhos como livros sagrados.A relação entre o Islamismo e Jesus Cristo – Cristo foi considerado por Maomé um dos profetas de Deus e dele são feitas múltiplas referências no Alcorão – onde existe mesmo uma Sura (capítulo) dedicada a Maria, a quem é reconhecida a virgindade até ao nascimento de Jesus. «Fizemos do filho de Maria e da sua mãe um prodígio e demos a ambos como morada um lugar elevado», está escrito.
Feriados Os muçulmanos apenas têm dois dias santos, são eles o Eid Altifir, após o mês santo do Ramadão e o Eid Aladha, que ocorre na época da Hajj (peregrinação santa).Eid Aladha é celebrado com a matança de uma ovelha. Este sacrifício é feito seguindo os passos do profeta Abraão aquando da ordenação de Alá (Deus) para matar o seu primeiro filho, Ismael.
Quando Abraão contou ao seu filho, Ismael, este disse-lhe para seguir a recomendação de Alá e que seria obediente e paciente.Quando Abraão se preparava para matar o filho, Alá oferece-lhe, no lugar do filho, uma ovelha para matar.Assim, a celebração vai de encontro à obediência de Abrãao e Ismael.Apenas os muçulmanos celebram estes dois feriados e não celebram os festejos cristãos.
Ramadão O Ramadão é o nono mês do calendário muçulmano e um feriado muito importante para todos os crentes. É um momento de reflexão, devoção e auto-controlo.Para os muçulmanos o Ramadão tem vários significados, entre eles, o distanciamento dos apetites do corpo, é uma medida de ascensão na natureza espiritual, o que significa chegar mais perto de Deus.O Ramadão é também tempo de devoção, de leitura do Alcorão, de caridade, de purificar o comportamento e fazer os deveres.
Significa também experimentar a fome e desenvolver uma simpatia com os menos afortunados, aprendendo a agradecer a apreciar a bondade de Deus. Para os muçulmanos, o Ramadão também pode ser benéfico para a saúde porque provoca uma quebra nos ciclos rígidos dos hábitos humanos. Pessoas doentes e mulheres em determinadas situações não devem jejuar.O período de jejum começa de madrugada e apenas termina ao pôr do sol. Durante essas horas os muçulmanos abstêm-se de comer, beber, fumar e de praticar sexo. A prática corrente é tomar uma refeição pré-jejum (o suhor) e pós-jejum (o iftar).Após completar o Ramadão, os muçulmanos têm o hábito de congratularem os outros com frases: «Kullu am wa antum bi-kair» (que corra tudo bem durante o ano) ou «Atyab at-tihami bi-manuasabat hulul shahru Ramadan al-Mubarak» (As mais preciosas congratulações na ocasião da vinda do Ramadão) ou «Eveda, ex Ramadan» (Adeus, ó Ramadão).Charia e a Lei Islâmica A lei islâmica é uma via traçada pelos antepassados a que todo o muçulmano deve aderir, que inclui textos antigos sobre os quais se apoia o jurista.Apesar da natureza, em parte teórica, da charia, ou talvez por isso mesmo, os que a ensinavam, interpretavam e administravam, os ulemas, tinham um lugar importante nos estados e sociedades muçulmanas.Como guardiães de uma elaborada norma de conduta social, os ulemas podiam, até certo ponto, impor limites às acções dos governantes, ou pelo menos aconselhá-los; também podiam agir como porta-vozes da comunidade, ou pelo menos do seu lado urbano.Em geral, porém, tentavam manter-se à parte, tanto do governo, como da sociedade, preservando o sentido de uma comunidade divinamente guiada, persistindo pelo tempo e não ligada a interesses de governantes ou da arbitrariedade do sentimento popular.- Os ulemas e a chariaNo centro da comunidade dos que aceitavam a mensagem de Maomé estavam os sábios religiosos, ulemas, que se diziam guardiães da comunidade e os sucessores do Profeta.A luta pela sucessão política do Profeta durante os primeiros séculos islâmicos trouxe consigo implicações para a questão da autoridade religiosa. Colocava-se a questão de quem tinha o direito de interpretar a mensagem transmitida no Alcorão e a vida de Maomé.Para os xiitas, a autoridade estava com uma linha de imãs, intérpretes infalíveis da verdade contida no Alcorão. Desde os primeiros tempos islâmicos, porém, a maioria dos muçulmanos nos países de língua árabe era sunita, o que significava que rejeitava a ideia de imã infalível, que podia, num certo sentido, prolongar a revelação da vontade de Deus. Para eles, essa vontade fora revelada definitiva e completamente no Alcorão e nos Suna do Profeta, e os que tinham capacidade de interpretá-la, os ulemas, era os guardiões da consciência moral da comunidade.

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