sexta-feira, 27 de novembro de 2009

texto pessoal contra a censura

A Censura no Brasil ocorreu por praticamente todo o período posterior à colonização do país, seja ela cultural, seja ela política. De certa maneira, mas sob um aspecto diferenciado, o Brasil ainda possui formas de censura desde a redemocratização.Censura no Período Colonial
Ver também Censura em Portugal
A coroa portuguesa possuía uma listagem de obras que não poderiam circular em seus territórios, incluindo todas as suas colônias. Foram proibidas de circular principalmente obras de teor iluminista ou que criticassem a Igreja Católica e a monarquia absolutista instituída em Portugal. Essa proibição não estava vinculada com a Inquisição, mesmo porque, a fé não era a principal preocupação da coroa naquele momento.

De certa forma, a Inquisição possuiu certo caráter censurador, uma vez que ela investigava, punia e, em alguns casos, matava pessoas que fugissem do pensamento católico, seja por seus atos, seja por suas crenças. Destaca-se que a censura não era um órgão que utilizava métodos investigativos muito apurados para realizar seu trabalhoBastaria que uma pessoa fizesse uma acusação sm maiores provas que o acusado seria submetido a torturas.

Antes da Inquisição, durante e um pouco depois, os padres catequizadores, cuja grande maioria eram jesuítas, proibiam que os indígenas brasileiros mantivessem vários de seus hábitos, tais como, a antropofagia em algumas tribos, suas festividades religiosas e seus idiomas locais. Foram estabelecidas pelos catequizadores as línguas gerais (tais como o Nheengatu), idiomas por eles criados com base nas línguas de diversas tribos de uma região que deveriam ser faladas por todos os indígenas, a fim de facilitar a comunicação comercial entre os diversos grupos e entre os europeus.

Os escravos também encontravam problemas em relação às suas culturas originais. No entanto, o surgimento dos quilombos (dos quais indígenas e brancos pobres também se beneficiavam) e a criação do candomblé representavam pontos em que poderiam se manifestar. Também era permitido que, em dias de folga, realizassem algumas comemorações, como a "coroação" de reis e rainhas em festitivades periódicas.


resultado da ditadura e da tortura

Quais foram as torturas utilizadas na época da ditadura militar no Brasil?

por Roberto Navaro
Uma pesquisa coordenada pela Igreja Católica com documentos produzidos pelos próprios militares identificou mais de cem torturas usadas nos "anos de chumbo" (1964-1985). Esse baú de crueldades, que incluía choques elétricos, afogamentos e muita pancadaria, foi aberto de vez em 1968, o início do período mais duro do regime militar. A partir dessa época, a tortura passou a ser amplamente empregada, especialmente para obter informações de pessoas envolvidas com a luta armada. Contando com a "assessoria técnica" de militares americanos que ensinavam a torturar, grupos policiais e militares começavam a agredir no momento da prisão, invadindo casas ou locais de trabalho. A coisa piorava nas delegacias de polícia e em quartéis, onde muitas vezes havia salas de interrogatório revestidas com material isolante para evitar que os gritos dos presos fossem ouvidos. "Os relatos indicam que os suplícios eram duradouros. Prolongavam-se por horas, eram praticados por diversas pessoas e se repetiam por dias", afirma a juíza Kenarik Boujikain Felippe, da Associação Juízes para a Democracia, em São Paulo. O pau comeu solto até 1974, quando o presidente Ernesto Geisel tomou medidas para diminuir a tortura, afastando vários militares da "linha dura" do Exército. Durante o governo militar, mais de 280 pessoas foram mortas - muitas sob tortura. Mais de cem desapareceram, segundo números reconhecidos oficialmente. Mas ninguém acusado de torturar presos políticos durante a ditadura militar chegou a ser punido. Em 1979, o Congresso aprovou a Lei da Anistia, que determinou que todos os envolvidos em crimes políticos - incluindo os torturadores - fossem perdoados pela Justiça.

texto pessoal contra a tortura

HERÓI FOI QUEM LUTOU CONTRA DITADURA E A TORTURA...

- A propósito dos comentários de um blogueiro anônimo, defensor da corrupção, da ditadura militar e da tortura, com ofensas e insultos à ministra Dilma Roussef, julgamos conveniente postar algumas informações acerca da prática da tortura na época da ditadura militar. A ministra Dilma, assim como muitos outros bravos brasileiros, está eternamente no coração e na memória histórica da Nação brasileira porque deram o melhor de si, de sua juventude, de sua bravura, para, à custa de muito sacrífico, fazer o bom combate de que fala São Paulo e derrotar, como derrotamos, a ditadura. Evidentemente, não esperamos que alguns tarados (sim, quem defende a tortura não passa de um tarado) defensores da ditadura, da corrupção e da tortura, vá se sensibilizar com os relatos do horror que a ministra Dilma combateu e enfrentou, mas que, pelo menos, possamos garantir que os mais jovens conheçam os fatos, a fim de não perdemos a memória história daquela fase do terror enfrentada pelos brasileiros e pela América Latina. Noutra postagem, divulgaremos algumas fotos.

causas do golpe militar

As Causas do golpe militar de 1964 no Brasil compõem uma somatória de eventos que ocorreram a partir de diversas tentativas de golpes militares contra Juscelino Kubitschek em 1955 e do vice-presidente João Goulart em 1961. Um dos principais motivos alegados foi evitar a instalação de um governo totalitário comunista no Brasil

Raízes ideológicas
As raízes do golpe de 1964 são profundas e controversas, datando do final do século XIX e do início do século XX.
Ernesto Geisel, quarto presidente do ciclo militar, afirmou, em depoimento à Fundação Getúlio Vargas, que era possível traçar as origens dos interesses e ideologias que deram a luz ao Golpe de 1964 no Tenentismo, movimento político que marcou profundamente a geração de militares que elaboraram, executaram e deram sobrevida à ordem política gerada pela derrubada de João Goulart.
Tal geração, profundamente influenciada pela missão militar francesa que viera ao Rio de Janeiro tutelar o Exército Brasileiro nas artes da guerra, defendia uma maior participação do exército na vida nacional e desprezava as "vivandeiras", termo cunhado pelo Marechal Castelo Branco para depreciar os políticos e oligarcas que buscavam utilizar o éxercito como ferramenta política.
Muitos destes oficiais participaram ativamente da Revolução de 30, revolução esta que veio a radicalizar as posições ideológicas e políticas dentro do exército.
Dentro das Forças Armadas muitos bandearam-se para os extremismos, tão em voga à época, como o Fascismo, popularizado pela eminência de Hitler e Mussolini, ou o Comunismo, alavancado pela Internacional dos Trabalhadores, de égide stalinista.
A revolução de 1930, por sua vez, recebeu grande apoio popular devido aos seus líderes e às influências ideológicas externas sobre estes.
Segundo o Tenente Coronel de Infantaria e Estado-Maior do Exército Brasileiro Manoel Soriano Neto, em palestra comemorativa proferida na AMAN em 12 de setembro de 1985, em homenagem ao centenário do marechal José Pessoa:
• "Com as desavenças que grassavam na corrente outubrista, o tenentismo vem a se desintegrar. Tal fato se dá após a Revolução de 1932, mormente durante o ano de 1933, quando se formava a Assembléia Nacional Constituinte. Parcelas das Forças Armadas se desgarraram para a esquerda e para a direita, incorporando-se à Aliança Nacional Libertadora e à Ação Integralista Brasileira, que apregoavam ideologias importadas, não condizentes com a idiossincrasia de nosso povo."
As raízes do golpe de 1964 são muito profundas, são de cunho ideológico e estão arraigadas no país desde o final do século XIX. Segundo historiadores, o golpe militar começou a ocorrer em 1954 (ou até mesmo antes) quando a situação de Vargas estava insustentável devido aos escândalos sucessivos que ocorriam durante seu governo de cunho autoritário, além de grande instabilidade que atingiu o Brasil política e economicamente.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O BRASIL NA DÉCADA DE 60

Década de 60 Foram anos rebeldes ou de muito sexo e rock roll, esta já é uma boa questão e já dá um bom tema para um livro, porem este livro não se limita apenas a estes dois tópicos, porque os anos 60 foram muito mais que anos rebeldes ou dourados, foram anos revolucionários.

Anos em que as mulheres queimaram sutiã em praça pública, anos da contracultura e principalmente do movimento hippie.

No Brasil 1964 a maior marca é realmente o golpe impetrado pelos militares que tomaram de assalto o poder.

O chamado regime militar sendo o momento culminante, em 1968 o AI-5. A autora aborda os grandes temas mundiais, quanto os acontecidos no Brasil na década de 60.
o golpe militar

De maneira geral, os membros do governo deposto são perseguidos e presos, ou então forçados a deixarem o país. Simpatizantes do governo deposto são igualmente perseguidos, e em casos extremos podem ser presos e torturados com intuito de obtenção de informações ou confissões.

Os golpes militares podem ser relativamente "pacíficos", quando não há uma reação popular contrária, ou quando a população apóia os golpistas, mas podem também ser sangrentos, quando a população é dividida quanto ao apoio aos golpistas ou quando uma nação estrangeira intervém no processo.



Embora tenha sido para o Brasil anos de ditadura e de censura, houve certa movimentação cultural com a jovem guarda, uma efervescência musical, anos dos festivais de M PB e o tropicalismo
tropicalismo
Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de "Tropicália".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Negros e brancos unidos contra o racismo!

ESSA IMAGEM DIZ A RESPEITO DOS NÃO RACISTA ! ISSO É MUITO BOM!


texto pessoal


Eu acho que o preconceito já tinha que ter acabado a muito tempo, pois os negros(a) não são inferiores ãos brancos e nem virce e versa.
Por isso eles nao deveriam se envergonhar por ser um negro(a) , pois eles são iguais aõs brancos sem tirar nem colocar nada.
Algumas pessoas racistas deveriam se envergonhar de ainda ter esse preconceito, estamos em uma nova era. Quando que esses racistas vão parar com isso?
Infelizmente algumas pessoas ainda se sente inferior , mais uma coisa eu digo: Que eles nunca podem perder a esperança de conseguirem a liberdade de ser um negro.


QUANDO ISSO VAI PARAR? ESSA É A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR!

resultado


RESULTADOS

A cultura africana chegou ao Brasil com os povos escravizados trazidos da África durante o longo período em que durou o tráfico negreiro transatlântico. A diversidade cultural da África refletiu-se na diversidade dos escravos, pertencentes a diversas etnias que falavam idiomas diferentes e trouxeram tradições distintas. Os africanos trazidos ao Brasil incluíram bantos, nagôs e jejes, cujas crenças religiosas deram origem às religiões afro-brasileiras, e os hauçás e malês, de religião islâmica e alfabetizados em árabe. Assim como a indígena, a cultura africana foi geralmente suprimida pelos colonizadores. Na colônia, os escravos aprendiam o português, eram batizados com nomes portugueses e obrigados a se converter ao catolicismo.Os africanos contribuíram para a cultura brasileira em uma enormidade de aspectos: dança, música, religião, culinária e idioma. Essa influência se faz notar em grande parte do país; em certos estados como Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul a cultura afro-brasileira é particularmente destacada em virtude da migração dos escravos.Os bantos, nagôs e jejes no Brasil colonial criaram o candomblé, religião afro-brasileira baseada no culto aos orixás praticada atualmente em todo o território. Largamente distribuída também é a umbanda, uma religião sincrética que mistura elementos africanos com o catolicismo e o espiritismo, incluindo a associação de santos católicos com os orixás.
A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, especialmente na Bahia, onde foi introduzido o dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite-de-dendê. Este azeite é utilizado em vários pratos de influência africana como o vatapá, o caruru e o acarajé.Na música a cultura africana contribuiu com os ritmos que são a base de boa parte da música popular brasileira. Gêneros musicais coloniais de influência africana, como o lundu, terminaram dando origem à base rítmica do maxixe, samba, choro, bossa-nova e outros gêneros musicais atuais. Também há alguns instrumentos musicais brasileiros, como o berimbau, o afoxé e o agogô, que são de origem africana. O berimbau é o instrumento utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira, mistura de dança e arte marcial criada pelos escravos no Brasil colônial.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

diferentes movimentos (1/2)


Movimento Negro no Rio Grande do Sul
Em
1907, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, um grupo de intelectuais negros se une para fundar o jornal A Alvorada. Fundado 19 anos depois da abolição da escravatura no Brasil, A Alvorada, pretendeu desde seu primeiro número ser uma tribuna de defesa dos operários e dos negros de Pelotas. Segundo Santos (2003), "A Alvorada, provavelmente, seja o periódico de maior longevidade desta fase denominada de imprensa negra".
No início do
século 20, Pelotas, era uma cidade em pleno processo de industrialização e que tinha nos descendentes dos escravos sua principal fonte de mão-de-obra. Entre os redatores do A Alvorada um dos que mais se destacou foi Rodolpho Xavier.

Movimentos sociais expressivos envolvendo grupos negros perpassam toda a História do Brasil. Contudo, até a Abolição da Escravatura em 1888, estes movimentos eram quase sempre clandestinos e de caráter radical, posto que seu principal objetivo era a libertação dos negros cativos. Visto que os escravos eram tratados como propriedade privada, fugas e insurreições, além de causarem prejuízos econômicos, ameaçavam a ordem vigente e tornavam-se objeto de violenta repressão não somente por parte dos classe senhorial, mas do próprio Estado e seus agentes.A principal forma de exteriorização dos movimentos negros rebeldes contra a escravização, nos cerca de quatro séculos em que a mesma perdurou no país (1549?-1888), foi a quilombagem. Na definição de Moura (1989)

Movimento Negro (ou MN) é o nome genérico dado ao conjunto dos diversos movimentos sociais afro-brasileiros, particularmente aqueles surgidos a partir da redemocratização pós-Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro e São Paulo.

diferentes movimentos (2/2)


Movimentos sociais expressivos

envolvendo grupos negros perpassam toda a História do Brasil. Contudo, até a Abolição da Escravatura em 1888, estes movimentos eram quase sempre clandestinos e de caráter radical, posto que seu principal objetivo era a libertação dos negros cativos. Visto que os escravos eram tratados como propriedade privada, fugas e insurreições, além de causarem prejuízos econômicos, ameaçavam a ordem vigente e tornavam-se objeto de violenta repressão não somente por parte dos classe senhorial, mas do próprio Estado e seus agentes

Da revolta à resistência pacífica
Com o fim do Império, os grupos negros se incorporaram a diversos movimentos populares, particularmente de base
messiânica, como o de Canudos e o do beato Lourenço. Tiveram ainda participação destacada na "Revolta da Chibata" em 1910, capitaneada pelo marinheiro João Cândido. Através da revolta da Armada, Cândido conseguiu fazer com que a Marinha de Guerra do Brasil deixasse de aplicar a pena de açoite aos marujos (negros, em sua maioria). Apesar da vitória e de uma promessa de anistia, a liderança do movimento havia sido praticamente exterminada um ano depois, e o próprio João Cândido, embora tenha sobrevivido ao expurgo, acabou seus dias esquecido e na miséria.

Monumento a João Cândido no Rio de Janeiro.
A "
Revolta da Chibata" foi praticamente o último ato de rebelião negra organizada – e armada – ocorrido no Brasil. Daí para frente, os grupos negros passaram a buscar formas alternativas de resistência, "especialmente em grupos de lazer, culturais ou esportivos".[5] Esta forma de resistência pacífica já existia durante o período de escravidão, embora não fosse, conforme descrito acima, o único instrumento de contestação existente. Nas palavras de:

(…) durante a escravidão o negro transformou não apenas a sua religião, mas todos os padrões das suas culturas em uma cultura de resistência social. Essa cultura de resistência, que parece se amalgamar no seio da cultura dominante, no entanto desempenhou durante a escravidão (como desempenha até hoje) um papel de resistência social que muitas vezes escapa aos seus próprios agentes, uma função de resguardo contra a cultura dos opressores.

Hanchard
também destaca esta forma de manifestação cultural, embora lhe atribua menor importância como fator de contestação:

Historicamente, as práticas culturais (religião, música, dança e outras formas) têm sido um dos poucos veículos de expressão relativamente acessíveis aos negros (não apenas ativistas ou adeptos do movimento negro) na sociedade brasileira.

Como tais práticas não ocorrem num vácuo social, alerta para o fato delas não mais conservarem sua pureza original, pois "sofrem a influência aculturativa (isto é, branqueadora) do aparelho ideológico dominante. É uma luta ideológico-cultural que se trava em todos os níveis, ainda diante dos nossos olhos". Ele exemplifica citando as
escolas de samba do Rio de Janeiro, que, de manifestações populares espontâneas nas primeiras décadas do século XX, converteram-se num negócio altamente lucrativo para seus dirigentes, e contando com a proteção oficial do Estado.

O Movimento Negro no século XX
Gênese: 1915-1945
Tendo como principais centros de mobilização as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, os movimentos sociais afro-brasileiros começam a trilhar novos caminhos a partir de meados dos anos 1910, numa tentativa de lutar pela
cidadania recém-adquirida e evoluir para organizações de âmbito nacional. A primeira grande manifestação neste sentido é o surgimento da imprensa negra paulista, cujo primeiro jornal, O Menelick, começa a circular em 1915. Seguem-lhe A Rua (1916), O Alfinete (1918), A Liberdade (1919), A Sentinela (1920), O Getulino e o Clarim d' Alvorada (1924). Esta onda perdura até 1963, quando foi fechado o Correio d'Ébano. Estes jornais possuíam como característica principal, o fato de não se envolverem na cobertura dos grandes acontecimentos nacionais (os quais, cautelosamente, evitavam). Conforme assinala Moura, tratava-se de "uma imprensa altamente setorizada nas suas informações e dirigida a um público específico".
É também graças a esse caldo de cultura
ideológico propiciado pela imprensa negra paulistana, que se desenvolve nos anos 1930 um dos mais interessantes movimentos afro-brasileiros de caráter nacional, a Frente Negra Brasileira (FNB). Fundada em 16 de Setembro de 1931, graças a uma forte organização centralizada na figura de um "Grande Conselho" de 20 membros, presidida por um "Chefe" (o que lhe valeu a acusação de movimento fascista), e contando com milhares de associados e simpatizantes, a FNB teve uma atuação destacada na luta contra a discriminação racial, tendo sido, por exemplo, responsável pela inclusão de negros na Força Pública de São Paulo. Depois dos êxitos obtidos, a FNB resolveu constituir-se como partido político, e nesse sentido, deu entrada na Justiça Eleitoral em 1936.

os movimentos negros no brasil e manifesto contra o racismo (2/2)


É também graças a esse caldo de cultura ideológico propiciado pela imprensa negra paulistana, que se desenvolve nos anos 1930 um dos mais interessantes movimentos afro-brasileiros de caráter nacional, a Frente Negra Brasileira (FNB). Fundada em 16 de Setembro de 1931, graças a uma forte organização centralizada na figura de um "Grande Conselho" de 20 membros, presidida por um "Chefe" (o que lhe valeu a acusação de movimento fascista), e contando com milhares de associados e simpatizantes, a FNB teve uma atuação destacada na luta contra a discriminação racial, tendo sido, por exemplo, responsável pela inclusão de negros na Força Pública de São Paulo. Depois dos êxitos obtidos, a FNB resolveu constituir-se como partido político, e nesse sentido, deu entrada na Justiça Eleitoral em 1936

Estes jornais possuíam como característica principal, o fato de não se envolverem na cobertura dos grandes acontecimentos nacionais (os quais, cautelosamente, evitavam). Conforme assinala Moura,[9] tratava-se de "uma imprensa altamente setorizada nas suas informações e dirigida a um público específico".

O Movimento Negro no século XXGênese: 1915-1945Tendo como principais centros de mobilização as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, os movimentos sociais afro-brasileiros começam a trilhar novos caminhos a partir de meados dos anos 1910, numa tentativa de lutar pela cidadania recém-adquirida e evoluir para organizações de âmbito nacional. A primeira grande manifestação neste sentido é o surgimento da imprensa negra paulista, cujo primeiro jornal, O Menelick, começa a circular em 1915. Seguem-lhe A Rua (1916), O Alfinete (1918), A Liberdade (1919), A Sentinela (1920),

Esta forma de resistência pacífica já existia durante o período de escravidão, embora não fosse, conforme descrito acima, o único instrumento de contestação existente.“ (…) durante a escravidão o negro transformou não apenas a sua religião, mas todos os padrões das suas culturas em uma cultura de resistência social. Essa cultura de resistência, que parece se amalgamar no seio da cultura dominante, no entanto desempenhou durante a escravidão (como desempenha até hoje) um papel de resistência social que muitas vezes escapa aos seus próprios agentes, uma função de resguardo contra a cultura dos opressores

Da revolta à resistência pacíficaCom o fim do Império, os grupos negros se incorporaram a diversos movimentos populares, particularmente de base messiânica, como o de Canudos e o do beato Lourenço. Tiveram ainda participação destacada na "Revolta da Chibata" em 1910, capitaneada pelo marinheiro João Cândido. Através da revolta da Armada, Cândido conseguiu fazer com que a Marinha de Guerra do Brasil deixasse de aplicar a pena de açoite aos marujos (negros, em sua maioria). Apesar da vitória e de uma promessa de anistia, a liderança do movimento havia sido praticamente exterminada um ano depois, e o próprio João Cândido, embora tenha sobrevivido ao expurgo, acabou seus dias esquecido e na miséria.Monumento a João Cândido no Rio de Janeiro.A "Revolta da Chibata" foi praticamente o último ato de rebelião negra organizada – e armada – ocorrido no Brasil. Daí para frente, os grupos negros passaram a buscar formas alternativas de resistência, "especialmente em grupos de lazer, culturais ou esportivos".

Das Inconfidências ao isabelismoJosé do Patrocínio, o idealizador da Guarda Negra.Enquanto,que na Inconfidência Mineira, movimento separatista sem base popular, os negros estiveram praticamente ausentes, foi oposta a situação na assim chamada "Inconfidência Baiana" ou Revolta dos Alfaiates, de 1798. Os objetivos dos rebelados baianos eram, conforme indica Moura, "muito mais radicais, e a proposta de libertação dos escravos estava no primeiro plano das suas cogitações". Entre seus dirigentes e participantes, contavam-se "negros forros, negros escravos, pardos escravos, pardos forros, artesãos, alfaiates, enfim componentes dos estratos mais oprimidos, e/ou discriminados na sociedade colonial da Bahia da época".

os movimentos negros no brasil e manifesto contra o racismo (1/2)


"MANIFESTO CONTRA O RACISMO NO BRASIL"

o manifesto contra o racismo têm apontado consistentemente para a existência de um enorme fosso a separar negros e brancos no Brasil do ponto de vista de salários, escolaridade, expectativa de vida e mortalidade infantil, para ficarmos nos indicadores mais importantes. É um fosso demasiadamente amplo, difundido e persistente para que se possa explicá-lo apenas pela escravidão ou pela desigualdade social de que o Brasil é recordista.

Ao mesmo tempo, o mecanismos discriminatórios na escola e na mídia, especialmente a televisão, que mantêm, reforçam e atualizam estereótipos negativos sobre a população negra, a qual também é objeto de tratamento discriminatório em suas interações com a polícia e com o Judiciário. isso constitue num golpe mortal para a ideologia da "democracia racial", denunciada como instrumento de manutenção do status quo.Diante desse quadro, constatado inclusive por enviados especiais de organismosinternacionais como a ONU e a OEA, o movimento negro brasileiro e seus aliados passaram da simples denúncia à proposição de medidas capazes de contribuir para alterá-lo.

isso constitue num golpe mortal para a ideologia da "democracia racial", denunciada como instrumento de manutenção do status quo.Diante desse quadro, constatado inclusive por enviados especiais de organismosinternacionais como a ONU e a OEA, o movimento negro brasileiro e seus aliados passaram da simples denúncia à proposição de medidas capazes de contribuir para alterá-lo.

Desde o final de 2001, na esteira da Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, têm sido adotadas medidas de ação afirmativa, ou discriminação positiva, no âmbito do ensino superior e do funcionalismo público. Neste momento, mais de duas dezenas de universidades públicas, federais e estaduais, utilizam o sistema de cotas para negros - e/ou indígenas, dependendo da região -, com resultados que contradizem as objeções a esse sistema com base no "mérito acadêmico" (que o vestibular comprovadamente não pode medir) ou na "futura queda do padrão de ensino". Simultaneamente, as prefeituras de alguns municípios das Regiões Sul e Sudeste reservam vagas para negros nos concursos para o funcionalismo público. No âmbito do ensino básico, a implementação da Lei 10.639, que inclui o ensino da história e da cultura dos africanos e afro-brasileiros nos currículos escolares, é outra conquista dos que pretendem construir uma sociedade livre do racismo.

Diante da ameaça de ver reduzidos os seus privilégios, setores da elite branca articularam imediatamente uma reação. A mídia contribuiu fabricando, num processo que inclui desde a produção de reportagens enviesadas até a transformação de especuladores em especialistas, uma Em vista dessa situação, nós, abaixo assinados, militantes, acadêmicos, jornalistas, políticos e sindicalistas, negros e brancos, profundamente comprometidos com a superação das desigualdades raciais em nosso país, solicitamos o empenho de nossos representantes no Congresso Nacional pela urgente aprovação de dois projetos de lei que ora tramitam nessa Casa: o PL 3.198/2000, que estabelece o Estatuto da Igualdade Racial, e o PL 73/1999,que estende ao conjunto nas universidades públicas federais a adoção de cotas para negros e outros grupos historicamente discriminados.

Em vista dessa situação, nós, abaixo assinados, militantes, acadêmicos, jornalistas, políticos e sindicalistas, negros e brancos, profundamente comprometidos com a superação das desigualdades raciais em nosso país, solicitamos o empenho de nossos representantes no Congresso Nacional pela urgente aprovação de dois projetos de lei que ora tramitam nessa Casa: o PL 3.198/2000, que estabelece o Estatuto da Igualdade Racial, e o PL 73/1999,que estende ao conjunto nas universidades públicas federais a adoção de cotas para negros e outros grupos historicamente discriminados.Na certeza de podermos contar com Vossa Excelência na concretização de nossos anseios, subscrevemo-nos,

as origens dos negros no brasil



Ao escrever o prefácio da 2ª edição de seu livro, em 1958, Herskovits reconheceria que muitas coisas haviam mudado, desde a primeira edição, em 1941 e que o número de negros que rejeitavam seu passado estava diminuindo paulatinamente, o mesmo acontecendo com as atitudes dos brancos em relação aos pontos de vista anteriores, para, então, arrematar:"E o negro americano, ao descobrir que tem um passado, adquire uma segurança maior de que terá um futuro."A oposição entre o otimismo culturalista de Herskovits e o pessimismo cientifista de Nina Rodrigues explica-se, entre outras coisas, pela própria mudança dos paradigmas teóricos no tratamento dos africanismos na América e pelo descrédito científico em que acabara caindo a frenologia lombrosiana e que tanto marcava a postura intelectual de Nina Rodrigues e de tantos outros no Brasil, inclusive Euclides da Cunha em Os sertões.

Constrói, assim, livro para ajudar a compreender a história do negro, história até então ignorada, por zelo e por descuido, contrapondo-se a cinco "mitos" então vigentes. Primeiro, que os negros, como crianças, reagem pacificamente a "situações sociais não satisfatórias"; segundo, que apenas os africanos mais fracos foram capturados, tendo os mais inteligentes fugido com êxito; terceiro, como os escravos provinham de todas as regiões da África, falavam diversas línguas, vinham de culturas bastante variadas e tendo sido dispersos por todo o país, não conseguiram estabelecer um "denominador cultural" comum; quarto, que, embora negros da mesma origem tribal conseguissem, às vezes, manter-se juntos nos EUA, não conseguiam manter a sua cultura porque esta era patentemente inferior à dos seus senhores; quinto, que "o negro é assim um homem sem um passado".


"Esta ligação imediata como o povo negro, que foi a glória maior do Congresso da Bahia, deu ao certame um colorido único", como já previra Gilberto Freyre. Artur Ramos, em carta que me escreveu sobre a entrevista ao Diário de Pernambuco, dizia: "O material daí que [Gilberto Freyre] julga apenas pitoresco constituirá justamente a parte de maior interesse científico. O Congresso do Recife, levando os babalorixás, com sua música, para o palco do Santa Isabel, pôs em xeque a pureza dos ritos africanos. O Congresso da Bahia não caiu nesse erro. Todas as ocasiões em que os congressistas tomaram contato com as coisas do negro foi no seu próprio meio de origem, nos candomblés, nas rodas de samba e de capoeira."


Nessa linha, muitos foram os seus seguidores ou, ao menos, seus admiradores nas décadas seguintes, caso, em particular, de Artur Ramos e de Edison Carneiro, mesmo quando se contrapunham em diferenças teóricas e metodológicas, ou quando se alinhavam nas disputas regionais, Gilberto Freyre puxando, é claro, para Pernambuco, pela primazia do autêntico das manifestações culturais africanas no Brasil.E o que acontece, por exemplo, na avaliação que Edison Carneiro faz no artigo "O Congresso Afro-Brasileiro da Bahia", descrito em 1940, no qual ao tecer elogios a esse encontro realizado em 1937, o contrapõe, ao mesmo tempo, ao Congresso do Recife, de 1934, pelo critério da maior ou menor pureza das apresentações dos ritos e cerimônias apresentados, num e noutro caso, aos congressistas:

Movimento Negro Unificado


Entidades e grupos negros lutam contra o racismo
O maior desafio do Movimento Negro no Brasil é acabar com o preconceito racial. Essa luta não vem de hoje. O movimento começou a ganhar força na década de 30, com a Frente Negra Brasileira. Mas somente em 1978 nasceu o Movimento Negro Unificado, que deu origem a vários grupos de combate ao racismo, como associações de bairro, terreiros de candomblé, blocos carnavalescos, núcleos de pesquisa e várias organizações não-governamentais. Conheça aqui algumas dessas principais entidades:

sábado, 20 de junho de 2009

defesa ao preconceito aos árabes

os arabes sao automaticamente vitimas de preconceitos nos estados unidos isso nao poderia estar acontecendo maisinfelizmente isso nao acontece eles sao descriminados pelo povo dos estados unidos por tudo por cor, raça, religiao,por sua vestimenta, etc... quando e onde isso vai parar ? é o que todo mundo se pergunta! juntando os paises, os municipios, todos oslugares podem acabar com esse preconceito e acabando com ele os mulçumanos estarao livre de todos e qualquer preconceito a eles
Mas era tarde, o incitamento tinha sido feito, inflamando ânimos já exaltados. As declarações de Bush desencadearam uma onda de violência contra os árabes em várias partes do país. O governo americano teve que empreender grandes esforços diplomáticos para reverter o quadro e controlar a situação.Agora, três meses depois dos ataques, aproveitamos para conferir, como tem sido o relacionamento dos americanos com a comunidade árabe.Fomos ao Brooklin, bairro onde se concentra a comunidade árabe de Nova York.Conversando com as pessoas ao longo da Atlantic Avenue, a principal rua comercial do Brooklin, percebemos que todos estavam excessivamente preocupados em nos convencer de que a situação era a mais normal possível.Muito pelo contrário, diziam elas, ao invés de preconceito, receberam dos americanos profundas e tocantes manifestações de solidariedade e carinho.RetóricaA retórica se repetiu em todas as conversas, até que tivemos oportunidade de conversar com Mohamed Salem, um libanês

segunda-feira, 8 de junho de 2009


O MUNDO ÁRABE NO SÉCULO XX

A parte do mundo que se costuma designar genéricamente como Oriente Médio pode ser dividida em duas grandes regiões: a Ásia Ocidental e a Península Arábica.
Os principais pontos em comum no mundo árabe são a língua, a religião e as tradições islâmicas.
Além disso, quase todos os países da região têm sua economia assentada na exportação de petróleo e um passado de traços coloniais: nem todos, é bem verdade, foram colonizados no sentido estrito da palavra; mas, sua história foi largamente condicionada pela presença européia, sobretudo a francesa e inglesa. Separados por inúmeras divergências, os árabes costumam unir-se apenas quando se trata de enfrentar um inimigo comum: O Estado de Israel.


UM POUCO DA HISTÓRIA

A leste do Mediterrâneo, existe uma região, que, devido ao formato arqueado e à fertilidade de sua terra, fiou conhecida desde a Antiguidade pelo significativo nome de "crescente fértil".
Foi ali, que há alguns milênios antes de Cristo, as atividades humanas passaram por uma fantástica evolução, talvez a mais importante da História do Homem. Enquanto os babilônios construíam um dos promeiros grandes impérios agrícolas na Mesopotâmia, os fenícios partiam das costas do atual Líbano para criar uma rede de entrepostos comerciais que cobria quase todo o Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, a região era palcode extraordinários progressos técnicos e científicos, e avançava-se nos campos da Arte, da Religião e do Direito.
Mais tarde, a difusão das civilizações grega, primeiro, e romana, depois, deu início a uma profunda transformação das civilizações asiáticas, que conservaram mesmo assim, uma notável vitalidade. A partir do século XII, porém, seu declínio assumiu proporções dramáticas.

sábado, 30 de maio de 2009

fundamento da religião Islâmica (texto 1)


Nascida como uma religião de paz e sabedoria, o islamismo, um dos três grandes cultos presentes no mundo, continua a ser um ilustre desconhecido para a maioria do Ocidente.O Tempo Desde o início da época islâmica, os muçulmanos datam os acontecimentos a partir do dia da emigração de Maomé de Meca para Medina, em 622 D.C: essa emigração, conhecida em árabe como a «héjira», constitui a forma de datação do calendário muçulmano.Um ano no calendário muçulmano, não tem a mesma duração do ano do cristão. O último é medido por uma revolução completa da Terra em torno do Sol, que leva aproximadamente 365 dias, mas o primeiro consiste em doze meses que correspondem, cada um, a uma completa revolução da Lua em torno da Terra; a extensão do ano medida nesses termos é aproximadamente onze dias menor que a de um ano solar. MecaCidade onde nasceu o profeta Maomé e onde começou a pregar a palavra de Deus, é a cividade Santa dos Muçulmanos, onde deverão ir (ver deveres) pelo menos uma vez na vida.Na cidade existe, no centro da mesquita, uma pedra negra que já era objecto de culto e peregrinação antes de Maomé.
Islamismo
Em árabe Islão significa «entrega» ou «devoção». Estas palavras têm sido utilizada para descrever o estatuto daquele que abraça a religião de Alá, a cujas vontades se «rende», vivendo de acordo com as regras propostas por ele e conhecidas através do seu profeta, Maomé.- O nascimento do islamismo
A península arábica é um planalto que se situa entre o golfo Pérsico e o Mar Vermelho, ocupado, na sua maior parte, por grandes extensões de deserto.Quando o profeta Maomé iniciou a sua pregação, grande parte da Arábia era habitada por tribos nómadas e independentes que viviam essencialmente da pastorícia e do comércio. No que diz respeito à religião, os Árabes eram politeístas (doutrina ou religião que admite uma pluralidade de deuses) e cada tribo adorava os seus próprios deuses. Assim, na Arábia não existia, antes de Maomé, nem unidade política nem unidade religiosa.O Alcorão é a principal fonte para a prática da fé dos muçulmanos. Os temas com que lida variam entre a sabedoria, doutrina, devoção e lei, mas o tema base é a relação entre Deus e os homens.O livro sagrado fornece ainda linhas para uma sociedade justa, uma correcta conduta humana e um equitativo sistema económico
O Fundador do Islamismo Maomé nasceu, cerca de 570, em Meca, na altura uma importante cidade comercial e já tradicional centro de peregrinação. Ficou órfão muito cedo, sendo educado pelo avô em difíceis condições económicas. Começou a dedicar-se, ainda jovem, à actividade comercial, tornando-se caravaneiro de uma viúva rica, Kadidja, com a qual viria a casar.Aos quarenta anos, Maomé passou a isolar-se nas montanhas para reflectir e rezar. Segundo diz a tradição, foi num desses retiros que lhe apareceu o anjo Gabriel, comunicando-lhe a mensagem de Deus que ele, por sua vez, devia pregar a todos os homens.Foi nesse encontro que conheceu as obrigações religiosas (os cinco pilares da fé) a que todos os muçulmanos estão sujeitos, sendo a mais importante acreditar e afirmar que existe um só Deus e que Maomé é o seu profeta.
- A missão de Maomé
Considerando-se, a partir de então, portador da palavra de Deus, Maomé começou a pregar na sua terra natal, Meca cerca de 610. Aceite pelos pobres, essa peregrinação não foi, contudo, bem recebida pelos ricos mercadores que dominavam então o funcionamento da cidade. Assim, Maomé teve que abandonar Meca, tendo-se dirigido para a cidade de Medina. Essa saída (a Héjira, em árabe) teve lugar em 622, data que foi, depois considerada o ano 1 do calendário muçulmano.A nova religião acabou por triunfar, sendo aceite por um número cada vez maior de crentes. Recebeu o nome de Islão ou Islamismo e teve, na sua origem, muitas influências do Judaísmo e do Cristianismo, que Maomé conhecia bem.
Os deveres de um muçulmano:- Fazer a profissão de fé;- Fazer as cinco orações por dia;- Cumprir o Ramadão;- Dar esmola aos pobres;- Ir a Meca, a cidade mais sagrada, pelo menos uma vez na vida, se tiver meios para isso.«Bem aventurados os crentes,Os que na oração são humildes,
Os que fogem da intriga, os que dão esmola.[...]Os que respeitam os seus contratos,Os que cumprem fielmente a oração,Esses são os herdeiros,Que terão o Paraíso, onde morarão eternamente».Alcorão, Sura XXIII, 1-11
Quem são os muçulmanos Os muçulmanos, (que em árabe significa crentes) acreditam num único Deus (que em árabe se diz Allah) bem como na imortalidade da alma e na possibilidade de obter a salvação eterna através da caridade e da oração.O seu livro sagrado é o Alcorão que, para os crentes, contém a palavra de Deus tal como foi pregada por Maomé.
Quando Maomé morreu, no ano 632, já grande parte da Arábia estava convertida à religião islâmica e formava um único estado. A Arábia passou, a partir de então, a ser dirigida por um califa (que em árabe significa sucessor ou representante), que acumulava, ao mesmo tempo, o papel de chefe religioso e política. Foi sob a direcção dos primeiros califas que se iniciou o movimento de expansão que levou à formação do grande império muçulmano.Os muçulmanos representam cerca de 1,3 milhões de pessoas de diferentes raças, nacionalidades e culturas à volta do globo – do sul das Filipinas à Nigéria.Cerca de 18 por cento vive no mundo árabe. A maior comunidade islâmica encontra-se na Indonésia; uma parte substancial da Ásia e de África é muçulmana, enquanto que se encontram minorias na Rússia, China, América do Norte e do Sul e ainda Europa.
Religiões Unidas O Deus islâmico é o mesmo dos judeus e dos cristãos, pois Maomé assumiu-se como descendente de Abrãao, pelo filho deste, Ismael, e aceitou Jesus Cristo como um dos profetas do «Deus único e verdadeiro». Além disso, ainda aceitou o conteúdo da Bíblia judaica e dos Evangelhos como livros sagrados.A relação entre o Islamismo e Jesus Cristo – Cristo foi considerado por Maomé um dos profetas de Deus e dele são feitas múltiplas referências no Alcorão – onde existe mesmo uma Sura (capítulo) dedicada a Maria, a quem é reconhecida a virgindade até ao nascimento de Jesus. «Fizemos do filho de Maria e da sua mãe um prodígio e demos a ambos como morada um lugar elevado», está escrito.
Feriados Os muçulmanos apenas têm dois dias santos, são eles o Eid Altifir, após o mês santo do Ramadão e o Eid Aladha, que ocorre na época da Hajj (peregrinação santa).Eid Aladha é celebrado com a matança de uma ovelha. Este sacrifício é feito seguindo os passos do profeta Abraão aquando da ordenação de Alá (Deus) para matar o seu primeiro filho, Ismael.
Quando Abraão contou ao seu filho, Ismael, este disse-lhe para seguir a recomendação de Alá e que seria obediente e paciente.Quando Abraão se preparava para matar o filho, Alá oferece-lhe, no lugar do filho, uma ovelha para matar.Assim, a celebração vai de encontro à obediência de Abrãao e Ismael.Apenas os muçulmanos celebram estes dois feriados e não celebram os festejos cristãos.
Ramadão O Ramadão é o nono mês do calendário muçulmano e um feriado muito importante para todos os crentes. É um momento de reflexão, devoção e auto-controlo.Para os muçulmanos o Ramadão tem vários significados, entre eles, o distanciamento dos apetites do corpo, é uma medida de ascensão na natureza espiritual, o que significa chegar mais perto de Deus.O Ramadão é também tempo de devoção, de leitura do Alcorão, de caridade, de purificar o comportamento e fazer os deveres.
Significa também experimentar a fome e desenvolver uma simpatia com os menos afortunados, aprendendo a agradecer a apreciar a bondade de Deus. Para os muçulmanos, o Ramadão também pode ser benéfico para a saúde porque provoca uma quebra nos ciclos rígidos dos hábitos humanos. Pessoas doentes e mulheres em determinadas situações não devem jejuar.O período de jejum começa de madrugada e apenas termina ao pôr do sol. Durante essas horas os muçulmanos abstêm-se de comer, beber, fumar e de praticar sexo. A prática corrente é tomar uma refeição pré-jejum (o suhor) e pós-jejum (o iftar).Após completar o Ramadão, os muçulmanos têm o hábito de congratularem os outros com frases: «Kullu am wa antum bi-kair» (que corra tudo bem durante o ano) ou «Atyab at-tihami bi-manuasabat hulul shahru Ramadan al-Mubarak» (As mais preciosas congratulações na ocasião da vinda do Ramadão) ou «Eveda, ex Ramadan» (Adeus, ó Ramadão).Charia e a Lei Islâmica A lei islâmica é uma via traçada pelos antepassados a que todo o muçulmano deve aderir, que inclui textos antigos sobre os quais se apoia o jurista.Apesar da natureza, em parte teórica, da charia, ou talvez por isso mesmo, os que a ensinavam, interpretavam e administravam, os ulemas, tinham um lugar importante nos estados e sociedades muçulmanas.Como guardiães de uma elaborada norma de conduta social, os ulemas podiam, até certo ponto, impor limites às acções dos governantes, ou pelo menos aconselhá-los; também podiam agir como porta-vozes da comunidade, ou pelo menos do seu lado urbano.Em geral, porém, tentavam manter-se à parte, tanto do governo, como da sociedade, preservando o sentido de uma comunidade divinamente guiada, persistindo pelo tempo e não ligada a interesses de governantes ou da arbitrariedade do sentimento popular.- Os ulemas e a chariaNo centro da comunidade dos que aceitavam a mensagem de Maomé estavam os sábios religiosos, ulemas, que se diziam guardiães da comunidade e os sucessores do Profeta.A luta pela sucessão política do Profeta durante os primeiros séculos islâmicos trouxe consigo implicações para a questão da autoridade religiosa. Colocava-se a questão de quem tinha o direito de interpretar a mensagem transmitida no Alcorão e a vida de Maomé.Para os xiitas, a autoridade estava com uma linha de imãs, intérpretes infalíveis da verdade contida no Alcorão. Desde os primeiros tempos islâmicos, porém, a maioria dos muçulmanos nos países de língua árabe era sunita, o que significava que rejeitava a ideia de imã infalível, que podia, num certo sentido, prolongar a revelação da vontade de Deus. Para eles, essa vontade fora revelada definitiva e completamente no Alcorão e nos Suna do Profeta, e os que tinham capacidade de interpretá-la, os ulemas, era os guardiões da consciência moral da comunidade.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

fundamento da religião islâmica (texto 2)

Maomé e o Alcorão. A base doutrinal criada por Maomé e o Alcorão constituem o fundamento sobre o qual assenta toda a estrutura da religião islâmica. O Alcorão ou Corão (al-Quran), é a coletânea dos versos recitados pelo profeta, graças -- segundo a tradição muçulmana -- a revelações feitas a ele por Deus, por intermédio do anjo Gabriel. As 114 suratas (capítulos) do Alcorão expõem os fundamentos do monoteísmo islâmico e os princípios morais que regem a comunidade. Desde o início de suas pregações, Maomé infundiu em seus seguidores um profundo sentimento de fé e de fraternidade, intensificada em conseqüência das perseguições que o fizeram deixar Meca, mudando-se para Medina, com amigos e parentes, em 16 de julho de 622. Única data da vida do profeta em relação à qual todos os muçulmanos estão de acordo, a hégira (emigração, separação) marca o início da era islâmica. Depois da hégira, o profeta formou uma comunidade religiosa e política, a umma ou comunidade de crentes, que se perpetuou no Islã como uma religião-estado -- fusão que não foi contestada até o século XX. Expansão territorial. Durante o governo dos quatro primeiros califas sucessores de Maomé e sob a dinastia omíada (661-750), o Islã estendeu-se em função das conquistas obtidas na guerra santa e da atuação das organizações místicas. Com a dinastia abássida, que perdurou até 1258, o império se fragmentou. Formaram-se vários estados, regidos por diferentes dinastias independentes, no norte da África, na península ibérica, Pérsia e em outros domínios. Apesar da divisão política, o Islã não perdeu sua unidade religiosa, institucional e econômica. A partir do século XII, a expansão da mística islâmica abriu novos caminhos para a religião, na Ásia central, Índia, Indonésia, Turquia e norte da África. Na Europa, o islamismo perdeu, no século XV, seus últimos reinos na Espanha e, depois da queda do império otomano, manteve somente redutos nos Balcãs e na Rússia meridional. Fontes doutrinais. A doutrina islâmica baseia-se em três fontes ou princípios fundamentais, além do Alcorão: o suna (tradições), o ijma (consenso) e o ijtihad (pensamento individual). Suna. O conjunto de ensinamentos e atos de Maomé, a suna, está documentado no hadith. O grupo islâmico majoritário e considerado ortodoxo, o sunita, aceita seis coleções diferentes, que foram compiladas durante o século IX da era cristã (III da hégira). Outro grupo importante, o xiita, tem seu próprio hadith. Ao procurarem garantir a autenticidade desses ensinamentos e atos, os sábios muçulmanos se detiveram menos na pureza do conteúdo do que na cadeia dos transmissores, em sua idoneidade e na proximidade com relação ao Profeta. A investigação da autenticidade do hadith constituiu tarefa fundamental dos estudos islâmicos. A exigência dessa garantia na transmissão foi mais rigorosa com relação aos textos legais do que com os de mera exortação espiritual. A coleção mais importante foi elaborada no século IX por Mohamed ibn Ismail al-Bukhari e é conhecida como o Livro da autêntica coleção. Essas coleções, além de seu valor religioso para os crentes, constituem uma exaustiva enciclopédia legislativa, teológica, cerimonial, moral, social e comercial, que inclui aplicações práticas e exemplos moralizantes para o cotidiano. Ijma. No segundo século da hégira, houve necessidade de fixar, por consenso universal (ijma), as prescrições legais e as práticas que derivavam do Alcorão. Em princípio, o ijma funcionava em favor da autoridade tradicional, uma vez que se referia sempre aos acordos passados e reconhecia opiniões conservadoras. Atualmente, no entanto, dá maior relevo aos elementos liberais e democráticos inerentes a sua própria natureza. Ijtihad. O esforço de adaptação do Alcorão a novas situações (ijtihad) foi importante no primeiro século do Islã. Nessa época, o ijtihad tomou a forma de opinião pessoal, o que deu origem a muitos conflitos. Nos séculos seguintes, a reflexão individual foi substituída por uma analogia rigorosa entre novas situações e os textos já adotados. Compilados os ensinamentos e atos de Maomé e estabelecido o consenso universal, o esforço individual de adaptação do Alcorão às novas situações foi limitado. Pensadores muçulmanos, no entanto, como Algazali, no século XI, e os reformadores dos séculos XVIII e XIX, voltaram a reivindicar a reflexão individual. Pilares do Islã. As características básicas da organização social e religiosa que definem o islamismo para todos os fiéis ficaram conhecidas como os "cinco pilares" (arkan) do Islã. Algumas seitas, como a dos caridjitas, tentaram, sem sucesso, incluir um sexto pilar, o jihad ou guerra santa. Profissão de fé. "Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu profeta". Essencial para ingressar na comunidade islâmica, a profissão de fé (chahada, literalmente) "